
LeBron James é um dos maiores símbolos da nova era da NBA
Há dois anos, o mundialmente famoso slogan "I love this game", marca registrada da NBA, liga profissional norte-americana de basquete, foi extinto.
Pela ótica de muitos publicitários, talvez seja um crime uma marca manter um mesmo slogan por mais de uma década. Mas, por outro lado, há o famoso verbete que diz: "Em time que está ganhando, não se mexe.". Este caso se aplica aos consagrados "Think Small", do Fusca, "The Citi never sleeps", do Citibank, "Keep Walking", do whisky Johnny Walker, "Connecting People", da Nokia, sem falar nos brasileiros "É impossível comer um só", da Elma Chips, e "Energia que dá gosto", do achocolatado Nescau. Claro que eu não poderia esquecer do onipresente "Just do It", da Nike. Seus produtos se modernizam, inovam, mas os slogans perduraram por décadas, se transformando em lemas institucionais de suas marcas.
Parecia que o mesmo se aplicaria ao "I love this game". Instituída em 1992 pela agência publicitária Goodby, Berlin & Silverstein, esta frase foi um dos grandes símbolos do radical processo de globalização pelo qual passou a NBA, estando presente em tudo que representava a liga: websites, placas nos ginásios, clipes promocionais, entre outros. Desta forma, astros como Michael Jordan, Shaquille O'Neal, Hakeem Olajuwon e Grant Hill se tornaram, em meados da década passada, ícones mundiais. As pessoas realmente passaram a "amar esse jogo", como diz em o slogan, em português. Em outras palavras, a NBA, midiaticamente falando, pode muito bem ser dividida em dois períodos: antes e depois de "I love this game".
Mas, quando parecia caminhar de mãos dadas com o melhor basquete do mundo até o fim dos tempos, o "I love this game" foi repentinamente substituído. Por intermédio dos mesmos Jeff Goodby e Rich Silverstein, agora sob a nomenclatura de Goodby, Silverstein & Partners, a NBA passou a ter como slogan "Where amazing happens". Porque agir de forma diferente das empresas já citadas acima e "mexer no time que estava ganhando de goleada"?
A razão é simples: a NBA está terminando o processo de transição da "Era Jordan" para a "Era LeBron, Kobe, Carmelo, Wade & cia.". Alguns remanescentes da brilhante década de 1990, como Shaquille O'Neal, Allen Iverson, Grant Hill e Jason Kidd, vão chegando ao fim de suas carreiras. Uma geração posterior, encabeçada por Tim Duncan, Kevin Garnett, Vince Carter, Tracy McGrady, Chauncey Billups, Paul Pierce, Steve Nash, Manu Ginobili, Baron Davis e Steve Francis, manteve o alto nível do show apresentado nas quadras norte-americanas, mas não conseguiu fugir da sombra de seus predecessores.
Outros nomes de bastante talento surgiram nos Drafts (recrutamentos de jovens talentos saídos das universidades, escolas secundárias - até 2005 - norte-americanas e de equipes estrangeiras) nos anos seguintes, mas, talvez, o "Where Amazing Happens" não exisitira se não fosse a classe de 2003.
Dificilmente, um outro recrutamento em qualquer esporte norte-americano trará, em uma mesma edição, quatro jogadores tão talentosos como Carmelo Anthony, Dwyane Wade, Chris Bosh e, claro, LeBron James. Somados a Dwight Howard, Chris Paul, Deron Williams, Brandon Roy, Al Jefferson, Kevin Durant e Derrick Rose, adquiridos nos Drafts seguintes, eles dão à NBA perspectiva de um futuro tão ou mais brilhante quanto os tempos em que Michael Jordan, Magic Johnson e Larry Bird dominavam à liga. E, acrescentando estas jovens realidades (nada de promessas!) aos principais astros da geração anterior, mesmo já na segunda metade de suas carreiras, a liga se mostra, de longe, a mais competitiva dos EUA.
Devido ao excesso de talentos e ao teto salarial imposto pelos dirigentes, mesmo os piores times da NBA possuem jogadores com talento suficientes para serem considerados estrelas. Mesmo o Sacramento Kings, pior time desta temporada, conta com Kevin Martin, sétimo colocado na lista dos cestinhas nas últimas duas temporadas.
Além disso, a NBA é capaz de reviravoltas sem muitos precedentes no esporte. A simples contratação de um jogador pode fazer com que um time mediano se torne candidato ao título. Casos de Shaquille O'Neal, no Miami Heat de 2006, e Kevin Garnett, no Boston Celtics de 2008 (que, só com Paul Pierce e Ray Allen, seria apenas mais um nos Playoffs.).
Hoje, a liga é uma marca mundialmente famosa, tendo versões de seu website para 12 países (incluindo uma em português), jogos de pré-temporada disputados em vários países europeus, além de México, Porto Rico e China e até mesmo jogos da temporada regular no Japão. Muitos outros países estão na "fila de espera" para receber uma partida do melhor basquete do mundo, sendo o Brasil um dos prováveis destinos futuros. A cada dia, as cifras dos contratos assinados pela NBA são maiores. Os direitos de transmissão em todo o mundo são disputados a tapa e, de olho nesta visibilidade, a Adidas não titubeou e assinou um contrato em que irá pagar mais de 400 milhões de dólares para ter o direito exclusivo de fabricar os uniformes dos 30 times da liga pelos próximos 11 anos. Além disso, a NBA ajuda financeiramente a causas como a reconstrução da cidade de Nova Orleans, casa do Hornets, o NBA Cares, programa social para ajudar crianças, jovens e famílias mais pobres e o NBA Green, que dá ênfase à preservação do meio ambiente.
Então, torna-se fácil concluir que, enquanto a era do "I love this game" visava a afirmação da NBA como uma liga global, o "Where Amazing Happens" é o lema de uma liga que realmente quer ser "onde o maravilhoso acontece", tanto dentro quanto fora de quadra. Outra mudança de slogan? Talvez daqui a uns 20 anos, se surgir outro camisa 23 que faça chover dentro de quadra.

E além de tudo dá pra encaixar qualquer coisa nesse slogan. Mérito pra lingua inglesa e seus neologismos!!
ResponderExcluirO slogan deve mudar quando o ideário da empresa muda.
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